{"id":842,"date":"2022-10-24T14:25:57","date_gmt":"2022-10-24T14:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/?post_type=artigotype&#038;p=842"},"modified":"2022-10-24T14:25:57","modified_gmt":"2022-10-24T14:25:57","slug":"perfil-academico-9","status":"publish","type":"artigotype","link":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/artigoType\/perfil-academico-9\/","title":{"rendered":"Perfil Acad\u00eamico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Doutor Clemente Galv\u00e3o Neto, \u00edcone da Odontologia Potiguar e Nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para familiares, amigos e colegas de profiss\u00e3o, um homem admir\u00e1vel e um exemplo a ser seguido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para os entusiasmados visitantes do Museu Dr. Solon de Miranda Galv\u00e3o, Dr. Clemente \u00e9 \u201c<strong>o cara\u201d<\/strong>.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tive a honra bem como o privil\u00e9gio de conhecer e conviver com Dr. Clemente. Meu \u201ctio\u201d por afinidade, pois considerava ao meu pai, Gilberto, como seu irm\u00e3o. Contudo, nunca ousei cham\u00e1-lo de tio. Achava desrespeitoso tratar com tanta intimidade algu\u00e9m que admirava \u2013 e sigo admirando \u2013 muito!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foi pelas m\u00e3os dele e da minha estimada madrinha, Dra. Yara Silva, que ingressei na Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia, e aqui sigo, h\u00e1 16 anos, dando o meu melhor, tal qual Dr. Clemente e meu pai me ensinaram.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 muito o que falar, lembrar e compartilhar sobre este grande homem. Mas confesso: n\u00e3o h\u00e1 algu\u00e9m melhor para falar sobre o \u201cdoutor\u201d do que ele mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O texto a seguir foi escrito por Dr. Clemente como parte de suas mem\u00f3rias. Livro que gostaria de ter escrito e compartilhado com todos, mas suas m\u00faltiplas tarefas e compromissos n\u00e3o lhe davam tempo suficiente. Ent\u00e3o, sempre que escrevia algo trazia para que eu digitasse. Assim o fiz. Sem mais delongas, conhe\u00e7am e <strong>re<\/strong>conhe\u00e7am Doutor Clemente por suas pr\u00f3prias palavras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong><em>Suely Martins<\/em><\/strong>, <strong><em>Secret\u00e1ria Executiva desde<\/em><\/strong> <strong><em>1\u00ba de agosto de 2006.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A Vida Profissional de Clemente Galv\u00e3o Neto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Clemente Galv\u00e3o Neto, nascido prematuramente, em 1\u00ba de agosto de 1924, no bairro do Tirol, na casa de propriedade do c\u00e9lebre <em>Joca do Par\u00e1<\/em>, em frente ao Est\u00e1dio Juvenal Lamartine, na \u00e9poca, campo da ARA.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebeu o nome do av\u00f4 paterno que nascera em 23 de novembro, dia de S\u00e3o Clemente e morrera em 30 de julho, sendo sepultado no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Descendente, pelo lado paterno, dos Galv\u00e3o, do Serid\u00f3, e dos Miranda Henriques, estes descendentes de Francisco Xavier de Miranda Henriques, que governara as prov\u00edncias da Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado materno, descendia dos Abbott, oriundos do Conselheiro Dr. Jonathas Abbott, ingl\u00eas radicado na Bahia, e dos Flores, oriundos dos casais a\u00e7orianos que vieram para o Rio Grande do Sul, e diretamente do Dr. Flores, m\u00e9dico e pol\u00edtico ga\u00facho deles descendente.Clemente foi alfabetizado pelos irm\u00e3os Maristas, a partir de 1931, onde estudou at\u00e9 concluir o gin\u00e1sio, em 1939.A essa altura, a antiga firma C. Galv\u00e3o &amp; Cia, que sofrera grandes preju\u00edzos em fun\u00e7\u00e3o da seca e do saque comunista de 1935, j\u00e1 se transformara em <em>Casa Galv\u00e3o<\/em>, tendo Clemente assumido o escrit\u00f3rio e a contabilidade da firma, aos 14 anos de idade, e aguardava uma oportunidade de continuar os estudos para fazer Engenharia, que era o seu sonho, e para o que se preparava desde tenra idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Impossibilitado de continuar aquilo que n\u00e3o fora o seu sonho de vida, 20 anos depois, seu pai resolveu vender a firma e voltar \u00e0 sua Odontologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Vendida a firma para pagar os d\u00e9bitos existentes, seu Pai, viajou para o Rio, a fim de se atualizar com o fruto da venda da casa da Av. Rio Branco, seu \u00faltimo im\u00f3vel, ele comprou um moderno consult\u00f3rio e voltou para Natal.A\u00ed come\u00e7ou a transforma\u00e7\u00e3o radical na vida dele.<strong>&nbsp; <\/strong>Acompanhando a montagem do consult\u00f3rio, e depois ajudando ao pai, aprendeu a fazer Pr\u00f3tese e se dedicou \u00e0 Odontologia que orientou sua vida da\u00ed para frente.<strong>&nbsp; <\/strong>Foi para o Rio de Janeiro, onde sua m\u00e3e se encontrava \u00e0 procura de emprego para ele poder continuar os estudos, ap\u00f3s servir ao Ex\u00e9rcito em 1941. Trabalhou como datil\u00f3grafo no Departamento Nacional do Caf\u00e9, onde ganhava CR$ 570,00 mensais, enquanto o seu pai pagava ao prot\u00e9tico CR$ 900,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando para Natal, transferiu-se para Recife, a fim de fazer o 2\u00ba Pr\u00e9-M\u00e9dico, pois fizera o primeiro no Rio, no Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio, dos Jesu\u00edtas.<strong>&nbsp; <\/strong>Al\u00e9m de vir mensalmente a Natal, onde assumira a Pr\u00f3tese de seu pai, em Recife conseguiu a coloca\u00e7\u00e3o com um antigo prot\u00e9tico e comerciante, Joaquim Barros, para quem trouxera recomenda\u00e7\u00e3o da tia da sua esposa, m\u00e3e de um grande amigo do Rio.Concluindo o 2\u00ba ano cient\u00edfico no Col\u00e9gio Osvaldo Cruz, submeteu-se ao vestibular de Odontologia, obtendo aprova\u00e7\u00e3o.<strong>&nbsp; <\/strong>Na Faculdade, conheceu e fez amizade com um colega, que j\u00e1 cursava o 2\u00ba ano e tamb\u00e9m era filho do Dentista de Alagoas, Dr. Hip\u00f3lito Lopes. Imediatamente, fizeram amizade e alugaram um consult\u00f3rio com laborat\u00f3rio, e come\u00e7aram a trabalhar, tanto com Pr\u00f3tese como em Cl\u00ednica.<strong>&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>No ano seguinte, j\u00e1 faziam Pr\u00f3tese para v\u00e1rios professores da Faculdade, al\u00e9m de terem uma boa clientela no consult\u00f3rio.Nessa altura, mudou-se para o Rio um antigo Dentista do Recife, transferido para o IPASE, tendo vendido seu consult\u00f3rio, localizado no \u201carranha-c\u00e9u\u201d da pracinha do Di\u00e1rio, muito bem montado com equipamento americano, que foi adquirido por um colega de M\u00e1rio Filho do dono de uma cadeia de farm\u00e1cias em Pernambuco.<strong>&nbsp; <\/strong>Esse colega convidou M\u00e1rio e Clemente para usarem o consult\u00f3rio, passando a eles os ensinamentos necess\u00e1rios. Vale salientar que esse colega nunca l\u00e1 apareceu, ent\u00e3o assumiram o consult\u00f3rio integralmente at\u00e9 a formatura, fazendo Cl\u00ednica e Pr\u00f3tese, inclusive para v\u00e1rios professores de Faculdade.Por ocasi\u00e3o da conclus\u00e3o do curso, M\u00e1rio, j\u00e1 formado, foi convidado para lecionar na Cadeira de Pr\u00f3tese, pelo Professor Pinto de Campos, amigo e cliente dos dois.<strong>&nbsp; <\/strong>No final do curso, Clemente foi convidado pelo professor Carlos Marinho, professor de T\u00e9cnica Odontol\u00f3gica para ser seu assistente, comunicando que, pela primeira vez, estaria convidando um rec\u00e9m-formado para assistente. Clemente agradeceu penhorado, e lhe explicou que faria Engenharia, tendo mudado de ideia para ajudar a seu pai, a quem adorava, e sentia que lhe seria \u00fatil. Lamentavelmente, seu pai faleceu em maio de 1949.<strong>&nbsp; <\/strong>Conclu\u00eddo o Curso, voltou para Natal e logo assumiu uma Diretoria da A.B.O, antiga Associa\u00e7\u00e3o Odontol\u00f3gica, e foi nomeado tamb\u00e9m Professor da Faculdade de Odontologia naquele ano criada, sendo, portanto, dela fundador.Afastado posteriormente, por motivo de doen\u00e7a, retornou finalmente para a Cadeira de Cirurgia, quando se tornou fundador, tamb\u00e9m da Universidade.<strong>&nbsp; <\/strong>Na mudan\u00e7a da Faculdade para o novo pr\u00e9dio, com a ajuda de seu amigo e cliente, ent\u00e3o Reitor Onofre Lopes, instalou o Departamento de Cirurgia com equipamento moderno.Sem que nunca tivesse pleiteado o cargo, comp\u00f4s por duas vezes a lista s\u00eaxtupla para Reitor, somente para respaldar seus candidatos que compunham a lista em primeiro lugar, sendo que da \u00faltima vez n\u00e3o resultou o combinado, motivo pelo qual, requereu aposentadoria e se afastou em definitivo.Foi fundador do Conselho Regional de Odontologia, onde trabalhou por mais de 20 anos, 12 dos quais como Vice-Presidente, tendo dado assist\u00eancia \u00e0s 27 Regionais e instalado algumas delas.<strong>&nbsp; <\/strong>Foi fundador da Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia e Diretor Vital\u00edcio <em>do Museu Dr. Solon de Miranda Galv\u00e3o<\/em>, sendo tamb\u00e9m membro da Academia Brasileira de Odontologia e da Academia Paraibana de Odontologia.<strong>&nbsp; <\/strong>Com graves problemas de sa\u00fade, se viu obrigado a reduzir suas atividades, por\u00e9m, sem que delas se afastasse completamente, a despeito dos seus 85 anos.\u00c9 imposs\u00edvel dissociar Doutor Clemente da Academia e do Museu, suas duas grandes paix\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A seguir, uma entrevista por ele concedida \u00e0 Revista Brasileira de Odontologia, com o t\u00edtulo: Na trilha dos museus odontol\u00f3gicos, e que pode ser lida na \u00edntegra no volume 63 \u2013 n.<sup>\u00bas<\/sup> 01 e 02 \u2013 ano 2006<\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUANDO FOI CONSTRU\u00cdDO O MUSEU?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente:<\/strong> <em>O Museu foi criado no in\u00edcio dos anos 50, em homenagem ao meu pai, Dr. Solon de Miranda Galv\u00e3o, primeiro Norte-Rio-Grandense a se formar em Odontologia, em 1910, no Rio de Janeiro, e falecido aos 59 anos, em 18.05.1949. O Museu se encontra na atual sede da Academia, desde novembro de 1999, quando foi inaugurado o pr\u00e9dio pr\u00f3prio e da qual \u00e9 parte integrante, ocupando todo o andar superior.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FALE UM POUCO DO ACERVO: QUAL A PE\u00c7A QUE DESTACARIA E POR QUAL MOTIVO?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente:<\/strong> <em>Dentre as pe\u00e7as do museu, podemos destacar, como \u00fanica no mundo, uma dentadura superior feita de uma bola de bilhar, por um oper\u00e1rio de f\u00e1brica de sab\u00e3o, cuja hist\u00f3ria j\u00e1 foi publicada no boletim do Museu da ABO-RJ, h\u00e1 alguns anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>QUAL O PAPEL QUE O MUSEU DE ODONTOLOGIA DESEMPENHA NOS DIAS DE HOJE?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente: <\/strong><em>O principal papel do Museu tem sido o de informar como foi a Odontologia no passado, e mostrar sua compara\u00e7\u00e3o com a Odontologia do presente. Isso tem sido periodicamente demonstrado, na pr\u00e1tica, com as visitas dos estudantes de Odontologia de nossas faculdades, sempre acompanhados de seus professores.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DE QUANTAS PE\u00c7AS SE COMP\u00d5E SEU ACERVO?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente:<\/strong> <em>O n\u00famero de pe\u00e7as do Museu foi calculado, h\u00e1 cerca de 02 anos, por um t\u00e9cnico da Funda\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Augusto (governo do RN) em 17.000. Somente agora, ap\u00f3s a elabora\u00e7\u00e3o de um sistema informatizado espec\u00edfico, est\u00e1 sendo feito um levantamento preciso com a listagem de todas as pe\u00e7as, levantamento este, por n\u00f3s, eu como diretor vital\u00edcio e a Professora Yara Silva, Diretora Adjunta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Somente ap\u00f3s a conclus\u00e3o deste trabalho, que levar\u00e1 ainda alguns meses, saberemos o n\u00famero real de pe\u00e7as, al\u00e9m de todas as suas especifica\u00e7\u00f5es e usos determinados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COMO DEVE SER MONTADO O MUSEU? DEVE-SE DAR DESTAQUE A QUAIS TIPOS DE PE\u00c7A?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente:<\/strong><strong> <\/strong><em>Acreditamos que, na depend\u00eancia do espa\u00e7o dispon\u00edvel, todas as pe\u00e7as dever\u00e3o ser expostas, informadas suas fun\u00e7\u00f5es e origens, al\u00e9m da \u00e9poca em que surgiram.<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SEU MUSEU REALIZA, PERIODICAMENTE, EXPOSI\u00c7\u00d5ES?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente: <\/strong><em>Nosso Museu est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para visita\u00e7\u00f5es, desde que agendadas, por causa da inexist\u00eancia de funcion\u00e1rios, o que nos obriga a acompanhar, e o fazemos com o maior prazer, especialmente agora, que dispomos de um sistema de ar-condicionado em todo o ambiente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>COMO S\u00c3O FEITAS A CONSERVA\u00c7\u00c3O E PRESERVA\u00c7\u00c3O DO MUSEU?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dr. Clemente: <\/strong><em>A conserva\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o do Museu s\u00e3o feitas por n\u00f3s mesmos, Diretores.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para isso, dispomos, em nossa instala\u00e7\u00e3o, de uma oficina para reparo das pe\u00e7as que, de um modo geral, nos s\u00e3o ofertadas em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o, precisando, portanto, de reparos e\/ou pinturas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Doutor Clemente faleceu em 24.11.2010, aos 86 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixou saudades e uma lacuna na Odontologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deixou um legado incontest\u00e1vel, atrav\u00e9s de seu exemplo de dedica\u00e7\u00e3o, disciplina, nobreza e amor por tudo o que fazia, tanto na vida pessoal como na profissional.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":843,"parent":0,"template":"","acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/artigoType\/842"}],"collection":[{"href":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/artigoType"}],"about":[{"href":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigotype"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/academiaodontorn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}